NO MOMENTO DA DOR, CRESCE O AMOR

Bangladesh

 

Ciclone, fenômeno que matou pelo menos 3100 pessoas na quinta-feira (15 de novembro de 2007), mas o número pode ter ultrapassado muito mais do que o previsto acima…

 

 5242aO hospital estava repleto de pacientes naquele dia. Justamente, naquela hora, quase não se podia transitar de tanta gente gemendo, chorando e outros procurando por seus parentes: pais e mães em busca de seus filhos e filhos em busca de seus pais, e lá fora a forte tempestade não parava de cair. O mar bravio havia lançado-se terra adentro, pegando todos de surpresa, menos os animais que por estarem sintonizados com a natureza, bem antes que o sol estivesse a pino, havia tomado novos rumos, pois através de suas intuições, perceberam que algo não muito bom estava para acontecer. Assim, estávamos dentro de um redemoinho que parecia não ter solução, diante daquela circunstância que ora vivíamos dentro daquele hospital. Na verdade, era uma situação pela qual jamais havíamos passado. Fiquei a imaginar o que seria um hospital em uma guerra, onde a todo instante chegam vários tipos de paciente: mortos, feridos, etc. Na verdade, não temos a mínima noção do que se passa num ambiente daquele; não somente com os pacientes mas com toda a equipe de médicos, enfermeiros, enfermeiras, auxiliares, enfim, toda uma estrutura de apoio que vivencia, cotidianamente, um estado de estress e tantas outras situações a fim de encontrar soluções, a maioria urgentes, dependendo do caso que se apresenta no momento, e aquele não era diferente. Mais uma vez, o Continente Asiático entrava em estado de agonia, e mais uma vez nos lembrávamos do começo do fim de Atlântida e Lemúria. Lembrei-me dos avisos em nosso grupo espírita quando da passagem do tsuname por estas bandas. É a Terra sob o comando das forças maiores, preparando o novo mapa geográfico do planeta, para os não muito longe próximos milênios. A Terra muda o seu curso juntamente com todo o Sistema Solar, caminhando, como tantas outras vezes, para um novo ninho, ficando aí um longo período, para depois empreender, novamente, um outro percurso até o seu destino final.

Meus companheiros de jornada estavam confusos, pois nunca haviam vivido uma situação assim. Percebi que estavam para fracassar e teríamos que ajudá-los, pois a nossa jornada de auxílio não poderia, de jeito algum, fracassar, e até certo ponto eu era o responsável por todos eles. Suas energias pareciam fugir de seus corpos fluídicos, por isso, entrei em prece por eles. Foi quando apareceu um “filho de Deus” para me dar apoio e encorajar a todos. Na verdade a minha preocupação era com o tempo, não poderia ficar parado dando explicações aos companheiros de jornada, naquele ambiente de hospital onde só víamos e ouvíamos dores e lamentos,  fomos convocados para o auxílio fraterno, não para nos desculparmos e lamentarmos.

 

Como disse, não poderia ficar lá tentando encorajá-los, pois o médico administrador do hospital dissera que a nossa chegada era prevista com atraso, tendo eu que rapidamente introduzir, no fichário de auxílio do diretor, os nomes de todos os que estavam comigo para que assim fossem chamados a prestar assistência aos necessitados, e o tempo pedia urgência de todos. Assim, agradecia o “filho de Deus” que se encarregaria de ajudar a todos, enquanto eu apresentava-me ao médico geral daquele hospital, já que era a primeira vez que ali nos encontrávamos. Agradeci a sua intervenção, sem ao menos perguntar o seu nome, e ele sorridente apenas liberou-me com um movimento de cabeça, entendendo a minha situação. Assim pude ir mais tranquilo, enquanto que os demais eram levados por ele para uma sala ao lado de onde eu teria que entrar para apresentar-me ao diretor.

 

O hospital era de uma construção que chamava a atenção devido ao seu estilo e pela suntuosidade que fora elaborado o seu projeto: tinha uma mistura de colunas estilo romana e várias aplicações, como também arcos mouriscos que sustentavam três grandes cúpulas, onde se destacavam representações em fina obra de arte. Nas abóbadas podia se ver três grandes passagens da evolução da Terra, e que nós jamais havíamos tido acesso a elas. Eram impressionantes os detalhes da sequência da história da humanidade, nunca contada por nenhum grande historiador, seja ele encarnado ou não. Mas o que realmente chamou a minha atenção foi uma quarta passagem, ainda em construção. Enquanto caminhavámos, eu me concentrava na interrogação sobre aquela cúpula, ainda em branco, quando aproximou-se de mim o nosso guia, que captando o meu pensamento, assim se expressou: “Estamos preparando esta outra cúpula para contar esta fase que já começa a sofrer mudanças. Mas, agora, deve concentrar-se no dever para o qual a que foram convocados, pois o momento aqui é de muita dor, e precisamos de muita energia de ambas as partes, a terrena e a nossa. Esta é, pois, a grande caridade e fraternidade universal. Sigamos em prece.”

 

Por enquanto, vamos deixando esta história para um outra oportunidade e nos concentrarmos na tarefa que nos requer toda atenção. Apresentei-me ao médico geral que foi logo me dizendo: “Seja bem-vindo ao trabalho que os aguarda. Já estão com um certo atraso. Quero dizer-lhe que sentimentos e paixões não combinam com o nosso trabalho de auxílio aos pacientes como aqueles que viu ao chegar aqui. O momento é preocupante, pois estamos com todas as nossas dependências super lotadas, mas já esperávamos que assim seria, e não nos surpreendemos com os irmãos que reencarnam com um certo compromisso e depois desviam-se do caminho certo. Assim, também não ficamos surpreendidos quando acontecem estas situações, determinadas pelo Pai, para que possamos continuar com a nossa evolução sobre o planeta Terra. Entretanto, todos os convocados aqui já se encontram em pleno trabalho, somente a sua equipe é que apresentou atraso, isto porque fomos informados que vocês tem um pessoal que ainda não conseguiu se dar contar de todas as suas responsabilidades perante suas próprias mediunidades, e consequentemente, com a tarefa a que nos propomos. É impressionante como vocês são desunidos e individualistas. Estão sobre um continente que precisa urgentemente ter a luz da verdade, mas vocês não querem esta verdade viver; a preguiça mental os corroe, o medo de serem os desbravadores os consome. Só não se esqueçam de uma coisa: quando forem cobrados sobre os seus deveres e não tiverem nada o que apresentar, não chorem e não culpem a ninguém, principalmente nós, como é o costume. Aprendam uma lição: nós aqui não olhamos com os olhos da piedade, mas sim com os da responsabilidade para com todos aquele que trazem nas suas dores, os seus compromissos e deveres, perante os erros cometidos em várias épocas de suas vidas. Deixe aqui a sua pasta com os nomes de seus companheiros, que serão imediatamente anotados pelo nosso pessoal de apoio. Vamos, então, ver os seus companheiros, para que possamos assim designar atividades para cada um deles. O tempo de vocês é muito curto.”

 

Procurei justificar ao diretor geral do hospital o atraso que havíamos tido. Primeiro eu tive que esperar que todos estivessem prontos para serem convocados em seus respectivos aposentos. Alguns custaram a dormir, outros, os seus espíritos, continuavam vagando dentro de suas casas, buscando alimentos como se ainda estivessem na matéria; outros, ainda em festas, ou tentando estar junto de seus parceiros. Só conseguimos atingir o nosso intento quando mandamos energias de atração no seu ponto máximo, através da prece, para que assim fossem tocados e tivessem condições de me seguir. Assim disse ao diretor: “Como pode ver, tudo foi feito como havíamos combinado anteriormente para que pudéssemos ajudar neste ciclone, como o senhor já havia me avisado o que estaria para acontecer  numa outra oportunidade anterior. De sua parte tudo estava pronto, sem dúvida, com os veículos à espera de nós todos, em seus respectivos lugares, mas a demora de cada um para preparar-se para esta viagem, com antecedência, foi o que dificultou a nossa chegada, como havia sido já acertado. Mas como o senhor mesmo pediu, para que nada fosse dito para as matérias, a fim de avaliarmos como estaria a sintonia de cada espírito para consigo próprio, assim foi feito e peço as minhas desculpas. Sei que tudo isso é falta de exercício e, ao mesmo tempo, de responsabilidade de cada um, que ainda não se deu conta da tarefa para a qual o mesmo foi convocado, isso desde quando daqui saiu, se assim podemos dizer. Mais uma vez peço desculpas.” Sem mais nada para dizer, seguimos para nos encontrar com os nossos companheiros que estavam ao lado.

 

Entramos na sala onde todos estavam e chegamos no momento em que o “filho de Deus” estava exatamente falando da responsabilidade e da necessidade de aprenderem, desde logo, a conviver com as realidades de acordo com que elas se apresentavam. Depois o médico geral falou a todos: “Agora vamos dividir todos vocês em tarefas, em tarefas distintas de seus campos de trabalho que exercem atualmente na vida terrena. Aqui será tudo diferente, mas cada um saberá o que fazer, pois vamos colocá-los junto a outros experientes tarefeiros e assim estarem em segurança. Por favor, nos acompanhem.” Assim, saímos todos para o trabalho e, para eles, daquele hospital, já nos encontrávamos bastante atrasados para o nosso dever. Passamos por um corredor largo, porém lotado de pessoas que chegavam cada vez mais em desespero. O chefe geral então voltou-se e nos chamou para a sintonia com Jesus e todas as forças do amor universal a fim de que aquele ambiente não caíssem em desarmonia em suas ondas vibratórias.

 

Éramos os irmãos trabalhadores das reuniões de segunda-feira, convocados para prestarmos auxílio aos desencarnados do ciclone de Bangladesh, que havia ocorrido para mais um dos muitos resgates coletivos de irmãos retornando ao orbe espiritual. A nossa participação, nesses casos, se faz em benefício de nós mesmos, à medida em que nossos espíritos assim se propõem, no momento de descanso de nossos corpos físicos, à noite, assim nos exercitarmos para o momento de nossas partidas para o plano espiritual. Outro objetivo é passar as nossas energias mais condensadas aos irmãos recém desencarnados, dando-lhes o conforto energético da matéria aos irmãos que, na maioria das vezes, não se dão conta dos seus desligamentos da matéria, fato que lhes causa grandes perturbações. É quando nós, espíritos encarnados, prestamos auxílio ao lado dos obreiros espirituais. Este é um momento sublime da vida que pouco se conhece, e o que chamamos  na matéria de intercâmbio, ou seja, ajudando seremos ajudados, principalmente na passagem do portal desencarnatório. Aqui está a frase do espírito que se denominou, em sua encarnação de Francisco de Assis – “É dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado.”

 

Entramos num amplo salão, todo de material que lembrava mármore, e de tão grande perdia-se de vista, e mesmo assim apresentava uma superlotação de irmão em dores. Não conseguíamos falar, tão alto eram os gemidos, gritos e choros daquela gente. Observamos que alguns de nossos companheiros queriam abandonar toda aquela situação e voltarem para os seus corpos na matéria – estavam muito assustados. O médico geral voltou-se e percebendo os seus fracos campos energéticos parou e em tom bem firme exclamou: “ Se continuarem assim, poderão ficar parados aqui mesmo, estacionados feito pedras, até que nós voltemos de nossas tarefas. Não deixarei que regressem aos seus lares da matéria, o que seria uma grande falta de responsabilidade, visto que todos os que aqui se encontram são extremamente importantes nesta hora tão significativa para o planeta, do qual todos nós fazemos parte. Daí o nosso chamamento e convocação para todos aqueles que podem prestar auxílio aos seus irmãos que estão deixando suas matérias terrenas e voltando para a casa espiritual. Estes mesmos irmãos que agora todos nós ajudamos serão, sem dúvida, os que irão recolhê-los um dia, e quem sabe, nesta mesma situação ou até mesmo em situações piores. Acho bom é que entrem em prece, com vontade de auxiliar, pois é o que de melhor podem fazer por vocês mesmos. Deixem o medo, pois treinar agora é se preparar para o amanhã de cada um de vocês. Ainda mais: exercitando agora o bem, ao voltarem à matéria, estarão renovando as suas energias e seus caminhos na estrada terrena. Por isso, todos entrem em prece e não paremos, pois temos que atravessar este mar de dor. Teremos a prece geral, que logo irá começar.”

 

Realmente, era como se estivéssemos sobre um grande mar de indivíduos, o que dificultava a nossa caminhada por entre eles, que não se viam uns aos outros, pois em suas dores individuais, cada um caminhava a esmo, sem se darem conta que estavam em uma grande multidão, cada um envolto em seu próprio mundo. Enquanto caminhávamos todos juntos, fazíamos estas observações. Ao levantar a vista, vi obreiros que flutuavam sobre nós, emitindo uma espécie de luz, o que agradeci e um deles sorriu para mim. Assim passei a informação aos demais companheiros e todos levantaram suas vistas e uma alegria se estampou em cada rosto, o que me deixou mais tranquilo para percorrer o caminho que o chefe fazia em velocidade. Não somente sobre nós, mas sobre todos os que ali se encontravam, aqueles serem alados focavam suas luzes para tranquilizar a todos.

 

Parecia que nunca chegaríamos ao final daquele grande e largo corredor, porém, o que nos animava era ver os seres alados sobre nós. Alados?  Sim, alados, mas não como entendem, ou seja, com aquelas asas parecendo penas de aves. Era, na verdade, uma forma triangular, que saía das pontas dos dedos de suas mãos em direção ao centro de suas cabeças, e tinham forma transparente como o nosso vidro terreno. Eram como um suave véu, e estavam sempre de braços abertos, como a nos guardar, dando-nos coragem para prosseguir o caminho feito pelo chefe do hospital. De repente, paramos em frente a um amplo salão em desnível, que nos levaria a subir uns oito degraus. O chefe voltou-se e nos disse: “Bem, aqui vamos separar todos vocês. Cada um seguirá a sua corrente de energia mental, sob a coordenação de cada um irmão obreiro que estão lá em cima. Vejam – apontou o diretor – seus auxílios irão para irmãos que tem os campos de energia iguais aos seus. Podem seguir agora.”  Foi como se o nosso amigo tivesse acionado um dispositivo e todos nós levitamos em direção a um irmão, que em pé, no último batente da escada nos aguardava. Em momento algum vi cada um dos companheiros seguir na mesma direção. Somente um dos que me acompanhavam é que ficou ao meu lado, os demais seguiram as correntes vibratórias de suas mentes.

 

Quando eu me deslocava em direção a um determinado ser, o diretor me convocou para uma outra situação e eu, como também o outro irmão que me acompanhava, o seguimos. “Vejam – mostrou-nos ele – ali está o vale dos recolhidos, que depois serão transferidos segundo seus campos vibratórios no momento do desencarne, ou seja, se eles estavam em exercício no bem, serão levados aos ambientes conforme seus estados de evolução, se no caminho do erro estavam, para zonas de suas vibrações eles seguirão. Aqui, agora, é só o momento de amparo, devido estarem em um desencarne coletivo, e não nos é permitido fazer seleções e sim socorrer a todos, mas isso tudo logo passará e então, poderão seguir para as prestações de contas, como disse, nas suas zonas vibratórias. Essa é a lei, como tu o bem sabes. Vejam, já estão a postos, ao fundo, os deslocadores que os levarão, mas muitos deles ficarão ainda por estas cercanias, visto estarem muito ligados aos comportamentos da matéria. Poderia lhe dizer que 90% ficam por aqui, mesmo que seja por um curto período de tempo, mas jamais sozinhos. Está vendo aquela luz que circunda todo o vale? Sim – respondi.  Pois bem, quando terminarmos o recolhimento de todos, os que aqui ficarem serão retidos por aquele cinturão de luz que, na verdade, são irmãos que, em forma de energia, lá se encontram como sentinelas, prontos ao auxílio aos que ficarem, passando a monitorar esses irmãos, ou seja, acompanhá-los em prece. À medida que cada um for despertando para a realidade, serão recolhidos e levados para os seus núcleos vibratórios. Foi por esta razão que eu os trouxe aqui, enquanto os demais estão realizando suas tarefas neste momento. Quero dizer-te, meu amigo, que está e a maior responsabilidade dos que hoje tem o conhecimento, no plano terreno, a de que a vida continua e que devem sim, em prece, constantemente pedir não só por estes irmãos que aqui se encontram, mas por todos aqueles que vivem vagando pelas cidades onde viveram quando encarnados. Vocês, repito, que se autodenominam espíritas, ou conhecedores do nosso modo de viver daqui deste lado, tem o dever, mais do que todos, de desdobrarem-se em prece, como auxílio para aqueles que todos os dias partem para o lado de cá. Quando falo de responsabilidade, meu irmão, não é só para vocês, mas para todos aqueles, ao redor do planeta, que defendem a vida após a morte. Muitos de vocês estão em busca de Deus e sua criação; buscam saber em que época, dia e mês quando aconteceu isto ou aquilo. Em teu trabalho, há indivíduos que estão preocupados com as vírgulas das mensagens, até mesmo desta agora, quando tiverem oportunidade de a ler, mas esquecidos deles mesmos, buscando fenômenos nos outros, esquecendo de seus próprios fenômenos, que é a sua transformação moral. Querem saber como foram criados, desde o princípio até o fim; é um direito, dizem. Como não lhes é dado este direito, Deus não existe… Pobres coitados e doentes que são, quando aqui chegam, sofrem mais ainda pelas suas invigilâncias mentais. Vocês, em seus próprios convívios, não acreditam, na maioria das vezes, em vocês mesmos. Alguns esperam falar com seus “mortos”, pois só assim se sentem bem, esquecendo que, depois que deixarem a matéria, seja lá quem for, são espíritos que cumpriram ou deixaram de cumprir suas tarefas. Um dever, em benefícios desses que irmãos que já partiram, seria libertá-los de suas mentes e agradecer por juntos terem estado, perseguindo o caminho do perdão uns com os outros, e prosseguirem cuidando de suas próprias evoluções morais. Enquanto vocês, na Terra, reclamam e se revoltam, seus ex-parentes terrenos, agora espíritos, vão se afastando, e muitos deles voltam às suas verdadeiras famílias, que deixaram aqui no plano espiritual quando de retorno à matéria para cumprimento de suas provas, na maioria das vezes, junto de  inimigos de algum passado.

 

Repito, tenha cuidado ao deixar esta tarefa que no momento desempenhas; a tua passagem ali ainda será necessária, mas se não encontrares motivações por parte de seus pares, não os julgueis, pois ainda vivem seus egoísmos pessoais e não a felicidade coletiva. Continue tentando, até que possam despertar para a realidade, enquanto nós aqui continuaremos tentando amparar os que aqui vão ficando, vagando sobre este recanto da Terra, esperando que em breve se libertem e nos sigam. Assim será contigo por lá. Continue, muita prece, muita prece, para ver se todos, ou pelo menos quase todos, possam desvencilhar-se de seus individualismos e prosseguirem na consolidação da verdade, que é este ensinamento de sabedoria sobre as nossas vidas, tão deturpada por irmãos que encarnaram das sombras e dos que se desviaram dos ensinamentos aqui recebidos e que juntos conseguiram firmar e consolidar a ignorância em todos os invigilantes encarnados, criando uma cortina de mentira sobre a verdade, mas que aos poucos começa a ser dismistificada, sob a luz da codificação das cinco colunas literárias do espírito de escol que se denominou Allan Kardec, que por lá passou, por ordem maior. Era isto que eu tinha a ti dizer, por este momento. Voltemos ao trabalho.”

 

Olhamos ao nosso redor e ficamos a observar como é complicado desencarnar sem ter consciência de que estamos vivos. Quando desencarnamos não ouvimos mais ninguém, e caminhamos como se a esmo nós estivéssemos, ou seja, caminhamos sob o efeito de nossas mentes, dos nossos pensamentos e não da realidade na qual nos encontramos. Somos como o cego que não quer libertar de sua cegueira, porém, o cego consciente, que aceita a sua prova com amor, este consegue ver através de sua energia vibratória e outros sentidos. Comecei a pensar que meus companheiros eram assim, cegos em seus próprios atos, ou seja, ainda não conseguiram perceber que a terra necessita ser arada, a semente a ser plantada, pois faltam mais semeadores para a seara do Mestre. O inverno chega, a primavera logo vem, o verão aproxima-se, e é bem provável que as sementes morram e não poderemos ver a colheita de nossa semeadura.

 

Não sei precisar quanto tempo ali estivemos, mas sei que muitas energias fluiam de nós, como se fôssemos verdadeiros depósitos de urânio enriquecido. Não víamos mais as dores, nem os gemidos em grande tenacidade, como eram antes. Víamos sim multidões de indivíduos que caminhavam como sombras, em silêncio, e vez ou outra, era como se saísse daquele meio algo com várias tonalidades de luzes. Viria a saber depois que eram espíritos merecedores, que daquele núcleo que se encontravam, por merecimento que tinham, se desprendiam e eram resgatados.

 

“Caros irmãos – falou-nos o diretor – estamos no campo de preces e para todos os que aqui se encontram, encarnados e desencarnados, unidos todos, vamos começar a acalmar os irmãos que chegam cansados de suas tarefas, mas com os seus deverem cumpridos. Assim dizemos: Pai Criador e amoroso, aqui estamos recebendo nossos irmãos caídos, que estavam em suas provas sobre o campo umbralino, a nossa amada Terra, mas que retornam a nossa morada e em breve, depois destas dores, possam se recompor e esclarecer a nós, as suas atividades que por lá vivenciaram. Abençoa-os em seus retornos, como vitoriosos servos que buscam assim o Teu amor, a Tua luz, segundo os seus merecimentos. Perdoa-os e não os deixem desfalecer neste momento, Senhor. Deus de bondade, sabemos que são irmãos que tiveram oportunidades, assim como tantos outros que por lá ainda estão, que saíram dos campos de dor, do centro do abismo da terra, pelas mãos do nosso guardião, Anjo Gabriel, que sobre a Terra os colocou e, agora, em nossas mãos chegam, até que possam subir a um lugar, a uma morada que os recolham para o preparo de novas provas e assim irem, aos poucos, se redimindo contigo, ó Pai de Amor Infinito. Somos gratos por estarmos em comunhão com todos os guardiães, com todos os guardiães da Terra, e com os nossos irmãos encarnados que, de vários pontos do planeta, aqui se confraternizam neste recolhimento destas almas que, por teu perdão, não voltarão mais ao seio da Terra. Sabemos, ó Pai, que ainda é o começo das transformações das gerações, mas nos damos por felizes por compartilhar com a caridade e a fraternidade que teu filho Jesus, que agora aqui se encontra para conferir o seu rebanho que acaba de chegar dos campos de prova. Para nós, que ainda caminhamos sombre a sombra da Terra, é um momento de alegria e de felicidade esta visita do nosso Guardião Maior. Pai e Senhor, dai a oportunidade para que os nossos irmãos encarnados que nos auxiliam possam, com os olhos de espírito, contemplar, por um pequeno momento, o semblante de teu filho Jesus. Peço, em meu nome, Jesus, que possam eles te ver, por um só momento, se isso for permitido. Muitos já disseram, lá no grande umbral da Terra, que para ver a Tua face seria necessário um longa caminhada, mas Tu o sabes que não é bem assim. Se contigo sempre estivermos, sempre em nossas mentes te veremos, nem que seja por um segundo.”

 

Um forte clarão se fez em todos os ângulos daquele ambiente; muitas sombras transparentes levitavam, e ao centro do salão uma sombra iluminada, mas que não nos incomodava a visão, surgiu ao centro e um cântico harmonioso se pôde ouvir. Nossos corações palpitavam, lágrimas desciam de nossos olhos. Estávamos estáticos, sem palavras,  como um passo de mágica, todos os demais companheiros ao meu lado estavam. Não se ouviam mais prantos, nem dores e um silêncio se fez, e as mãos daquele vulto se elevou e de sua boca um grande som harmonioso se fez ouvir: “Descansai, descansai todos aqueles que cansados estão. As horas do descanso total das suas libertações abismais já resplandecem na face de Meu Pai que está sobre os céus, e eu vos recolho em meus braços para novas jornadas terrenas. E eu sou a vossa luz, eu sou a vossa vida, até que cada um de vós possam junto comigo ao Meu Pai chegar em outras moradas, não mais de dor, mas sim de amor.”

 

Tudo, então, foi se desfazendo, como um relâmpago. Todos nós estávamos de mãos dadas, ainda, quando nos deparamos com um grande quadro de mais ou menos dez metros de altura por uns sete de largura, com a figura de Jesus, em pé, de mãos estendidas sobre umas alvas ovelhas que ao Seus pés se encontravam. Mas o quadro estava rasgado: tinha um golpe na sua roupa, na vertical, à altura da sua cintura até próximo a altura do seu joelho. Estávamos a observar o rasgo, quando uma outra imagem do Mestre, igual à do quadro, apareceu ao lado da mesma e começou a costurar aquela tela com uma grande agulha e uma longa linha amarela. Era Ele, Jesus! Jesus? – pensamos. Não, não pode ser – todos concordamos. Mas aquela figura nos fitou e disse: “Por que tendes tão pouca fé? Por ventura não poderei eu vos aparecer? Não autorizei ninguém na Terra a dizer-vos de que eu não poderia até vós junto estar. Não autorizei nada. Eu sou o Filho do Altíssimo, eu tudo posso, desde costurar esta tela, ver a todos e todos me verem, se comigo estiverem em comunhão. Voltem aos seus lares e falem de Mim, como falam de seus familiares e amigos. Falem a todos, e digam: eu vi Jesus, eu estive com Jesus, e Ele comigo estará sempre, por toda a minha vida.”

 

Assim acordei do sonho que sonhei.

 

Sobek de Alcantara

 

Toronto, 19 de novembro de 2007.